Resposta

Eu fui uma criança como qualquer outra, com suas manias de criança e suas particularidas. Uma das minhas manias mais persistentes era perguntar o porquê de tudo. Do céu ser azul, do sangue ser vermelho, da necessidade de comer verduras e dormir cedo. Meus pais – como outros pais – respondiam o que estava ao alcance do conhecimento e da paciência. Logo, nem todas minhas perguntas eram esclarecidas.

Entretando havia uma pessoa que nunca deixou uma dúvida no ar, nem que pra isso tivesse que “inventar” a resposta. Ela, tão querida e tão vivida. Morou praticamente toda sua vida na fazenda, cuidando de seus muitos filhos – como era normal ter na época. Rígida e carinhosa. Depois de um bom tempo, seu marido se foi levado pela moléstia da dade, mas ela ainda continuou forte como uma fortaleza. Sempre irradiava saúde, parece que nem envelhecia! Sempre carregava um sorriso completo, com todos os dentes naturais e brancos como as nuvens de um dia ensolarado. Seus olhos carregavam o brilho, tão forte como o sol.

Hoje porém, as coisas mudaram. O brilho dos olhos perdeu o lugar para a fraqueza. Ainda tentava sorrir, mas eram poucos os motivos que a levavam a isso. Não conseguia ou não queria mais andar. Mas mesmo deitada em uma cama desconfortável, mesmo rodeada por tubos de oxigênio, mesmo com seu brilho um pouco ofuscado pela luz fluorescente do hospital, continuava linda. Sei que ela sempre será a minha ídola.

Te amo minha querida bisavó, minha outra mãe, minha outra vó. Você não sabe o quanto fez diferença na minha vida e digo isso com lágrimas nos olhos. Nunca senti uma falta tão grande no meu peito quanto sinto agora. Que a senhora seja feliz e nunca, nunca tire o sorriso do rosto. Ah, e não deixe de responder nenhuma pergunta dos anjinhos.

Your turn (*)

Segundo ano do Ensino Médio. Isto significa que já se passaram 12 anos na escola, contando com o pré. Muitas pessoas passaram por mim, muitos que nem lembro o nome ou a fisionomia, mas por falta de espaço na memória. E aqui estou eu, dois anos para acabar o que é apenas a base do meu futuro profissional. Mesmo em uma fase importante na formação de todos, continuo percebendo que há pessoas mais preocupadas com a imagem do que com o real conteúdo que pesará em seu futuro.
Nessa confusão toda, salvo duas raras excessões: uma que toda hora que eu posso, quero sua presença e outra que, surpreendentemente foi encontrada onde não achei possível achar uma alma como a minha. Infantil, com brincadeiras bobas e algumas atitudes incoerentes com a idade, foi como achar uma agulha colorida em um palheiro multicolorido. Como eu, você não liga para o que a maioria pensa, você conta e ri de piadas que causariam opniõs divergentes nos outros, faz coisas que ninguém concorda, ama quem muitos deixam de lado. Uma das coisas que admiro em você é que o fato de brincar e ignorar as hipocrisias existentes no colegial não muda nada em você como pessoa. Esforço e dedicação são percebidos em quem, como eu, convive todos os dias ao seu lado e posso afirmar que não é pouco o que percebo.
Sei que posso confiar em você, sei que partilha a mesma opnião sobre muita coisa, sei que no final, as diferenças só estão servindo para percebemos que os diferentes podem sim conviver juntos. Agora sua boba, já que não estamos em aula, vamos jogar nosso viciante jogo das bolinhas.

(*) O título faz referência a uma frase dita por nós frequentemente.